O Erro do Alfa, a Vingança da Luna – Jaliyah Só me dê dois minutos. Por favor implorou Jaliyah ao futuro Alfa da sua matilha Alfa Zephyra da Tribo Uivolunar. A mão dela repousava no braço dele, mas ele baixou o olhar para ela com uma carranca antes de erguer os olhos aqueles olhos profundamente azul-escuros nos quais ela costumava se perder e lhe lançar um olhar frio, de desaprovação. Eles tinham sido amantes por pouco mais de um ano, nada sério pelos padrões dele.
Mas agora tinha acabado. Ele tinha encontrado a sua Companheira Predestinada, escolhida a dedo pela própria Deusa da Lua e, assim, desse jeito, Jaliyah não valia nem um minuto do tempo dele. Ela tinha se apaixonado por ele completamente, embora sempre soubesse que este dia chegaria. Ela tinha mantido tudo leve, brincalhão, nunca deixando que ele visse o quão fundo iam os sentimentos dela. Ele não era o companheiro predestinado dela, e ela não era a dele. Tudo o que ela queria agora era desejar o melhor a ele e fazer com que ele soubesse que estava indo embora — voltando para o campus para terminar a faculdade de direito em tempo integral, fazendo estágio durante os intervalos.
Ela não estaria em casa por pelo menos os próximos dois anos. Ela não aguentava a ideia de vê-lo feliz com outra pessoa, vendo os dois agarrados um no outro como ela e Zephyra costumavam ficar. Assistir a isso destruiria ela. Mas ela nunca contaria isso a ele. Enquanto ela estava ali, segurando o braço dele e tentando forçar um sorriso radiante, Soraya — a companheira dele — entrou no cômodo. Os olhos dela travaram na mão de Jaliyah sobre Zephyra, e a expressão dela ficou venenosa. Ela não se importava que Jaliyah e Zephyra fossem amigos de infância havia vinte anos, não se importava com o vínculo que eles já tinham compartilhado. A loba de Soraya rosnou fundo no peito dela, e então Soraya estalou: — Tire as suas mãos imundas do meu companheiro — enquanto atravessava o cômodo a passos largos.
Ela agarrou o pulso de Jaliyah, puxando-a para longe de Zephyra, e com a outra mão, deu um tapa tão forte no rosto dela que Jaliyah cambaleou um passo para trás, a mão voando para a bochecha em chamas. Ashira, a loba de Jaliyah, uivou de fúria na mente dela, enfurecida pelo ataque. Antes que Jaliyah conseguisse impedi-la, Ashira avançou, as garras se estendendo das pontas dos dedos enquanto revidava com um golpe feroz, do jeito dela. As garras dela rasgaram a bochecha de Soraya, deixando três arranhões profundos e sangrentos que pingaram sobre as roupas dela. Soraya gritou de dor, as mãos voando para o rosto enquanto o sangue escorria. Lágrimas correram dos olhos dela quando ela se virou para o companheiro, buscando conforto nos braços dele. Jaliyah sabia que ela iria se curar — lobos sempre curavam —, mas não importava. O estrago estava feito. Os olhos de Zephyra se arregalaram em choque. Ele puxou Soraya para os braços, mantendo-a perto, protetor.
Então o olhar dele pousou em Jaliyah, ardendo de fúria — a fera dele claramente bem ali com ele. O rugido dele ecoou pelo cômodo. — Saia desta matilha. Não volte nunca mais. Jaliyah congelou, o coração disparado, lágrimas brotando nos olhos verdes dela. Ela sabia o que isso significava. Atacar a Luna — ou mesmo a futura Luna — era traição. A loba dela tinha tirado sangue. Aquilo podia significar exílio… ou pior. Ela se virou e fugiu do cômodo, sabendo que se ficasse nem que fosse um segundo a mais, as consequências poderiam ser mortais. Ashira choramingou de angústia, devastada com a ideia de deixá-lo, de deixar a casa delas, a família delas. As duas sabiam — nunca mais seriam permitidas de voltar. Se Zephyra já fosse Alfa, ele poderia tê-la marcado como uma renegada na hora, arrancado o título dela e a jogado para fora sem nada. O passo de Jaliyah acelerou enquanto ela corria porta afora da casa da matilha.
Então ela estava correndo, lágrimas escorrendo pelo rosto, disparando em direção ao carro. Ela não podia esperar. E se Zephyra — ou pior, Soraya — mudasse de ideia e decidisse que banimento não era o bastante? E se eles quisessem que ela fosse punida mais severamente? Espancada? Trancada? Morta? Não havia tempo para se despedir. Nem da mãe, nem do pai, nem do irmão mais velho. Ela só correu, entrou no carro e saiu cantando pneu da entrada o mais rápido que pôde, desesperada para sair das terras da matilha antes que qualquer outra coisa acontecesse. Ela ouviu uma voz atrás dela — Darian, o futuro Beta — chamando por ela. — Jaliyah, o que está acontecendo? — Havia preocupação de verdade na voz dele, mas ela não parou para explicar. Ela não podia. Ela só dirigiu. Pelo menos Zephyra não tinha autoridade para oficialmente marcá-la como uma renegada. Ainda. Essa decisão caberia ao pai dele, Alfa Thaddeus. Ele ouviria o lado da história deles — o de Zephyra e o de Soraya — e decidiria o destino dela. ‘Por quê?’ Jaliyah soluçou, perguntando a Ashira enquanto acelerava pela estrada, voltando para a universidade onde ela tinha estudado nos últimos dois anos.
Felizmente, ela tinha um dormitório esperando por ela. Um teto. Um lugar para se esconder. Ela nunca poderia voltar para a sua matilha. ‘Proteja filhote’, Ashira choramingou de luto. O choro de Jaliyah se intensificou. O peito dela doía tanto que ela não sabia se conseguiria sobreviver. Um bebê. O bebê dele. E ele a tinha jogado de lado como lixo sem nem saber. A havia banido. A havia cortado da vida dele. Ela precisava sobreviver — pelo filhote crescendo dentro dela. Mesmo que isso a despedaçasse. Mesmo que isso rasgasse ela e Ashira ao meio.