O Guarda-Costas Que Eu Humilhava Era o Herdeiro Perdido Novel – Capítulo 1 Eu era a filha única mimada de um homem que tinha acabado de ficar milionário, e meu passatempo favorito era transformar a vida do guarda-costas dele num inferno. O cara tinha ombros largos, uma cintura ridiculamente fina e um rosto capaz de bagunçar minha cabeça inteira. Eu estava completamente caída por ele. O problema era que Reid Carson tinha a sensibilidade emocional de uma parede de concreto. Não percebia uma indireta nem se a vida dele dependesse disso. Quando perdi a paciência e mandei que ele se ajoelhasse mais uma vez para amarrar meus sapatos, uma enxurrada de comentários flutuantes apareceu diante dos meus olhos. [Quanto mais essa pirralha apronta agora, pior o protagonista vai acabar com ela quando a família perder tudo.
Ela vai terminar servindo de comida pros peixes no rio.] [Ela realmente acha que vai viver como rainha pra sempre? Daqui a um mês, o pai dela vai torrar toda a fortuna num investimento desastroso. Eles vão falir, ela vai morrer num porão qualquer, e o protagonista vai ser reconhecido pela família bilionária verdadeira. Depois vai se vingar de todo mundo que humilhou ele.] [O protagonista e a protagonista feminina são literalmente almas gêmeas. Ela era uma empregada pisada por todos, ele um guarda-costas humilhado. Nas madrugadas, os dois se consolavam. E mesmo quando a vilãzinha tentava separar eles? No fim, acabam felizes juntos.] Congelei. Então puxei meu pé do peito de Reid às pressas e comecei a gaguejar. — Esquece… eu mesma amarro meus sapatos. — Pode ir embora. Reid Carson ficou imóvel por um instante. Ele levantou lentamente os olhos de cílios grossos e me lançou aquele olhar frio e silencioso de sempre. Engoli em seco. Alto demais. Patético demais.
Desde que meu pai tinha enriquecido, ficou paranoico com a possibilidade de eu ser sequestrada. Arrastou-me imediatamente para uma agência de segurança para escolher um guarda-costas. Mas todos os homens de lá pareciam armários ambulantes. Recusei cada um deles. Até enxergar Reid num canto. Ele parecia cansado, mal vestido, com cara de quem não dormia fazia dias. Ainda assim, era absurdamente bonito. Meu coração disparou na hora. Apontei direto para ele e falei para meu pai, completamente séria: — Quero esse. Só ele vai ser meu guarda-costas particular. O dono da agência hesitou. — Ele acabou de aparecer aqui. Ainda nem passou pelo processo de avaliação. Meu pai obviamente recusou. Mas eu insisti tanto que ele acabou cedendo e levou Reid para casa. Naquela época, achei que ele era apenas um cara pobre tentando sobreviver num trabalho pesado. Então, quando me rejeitou pela terceira vez, quase trinquei os dentes de tanta raiva. E decidi infernizar a vida dele de verdade.
Obrigava que ajoelhasse para amarrar meus sapatos. Lavasse minhas roupas à mão. Segurasse tigelas escaldantes de sopa enquanto esperava eu acordar, queimando as mãos até ficarem vermelhas. Fazia mil pequenas crueldades daquele tipo. O que eu não sabia era que aquele homem que considerei um ninguém pobre era, na verdade, o único herdeiro de uma família bilionária. O filho sequestrado na infância. O sucessor legítimo. E pior ainda… Meu pai não iria apenas falir. Ele morreria congelado numa noite de inverno. E eu acabaria jogada no rio depois que Reid terminasse de se vingar de tudo o que fiz com ele. A imagem do meu corpo magro afundando até o fundo do rio enquanto os peixes arrancavam minha carne me fez tremer violentamente. Foi isso que me trouxe de volta à realidade. Reid ainda não tinha ido embora. Ele já havia terminado de amarrar meus sapatos e agora limpava um grão de poeira da ponta deles usando a manga da camisa.
Comecei a tremer ainda mais forte. Puxei o pé de volta num movimento desesperado e perguntei com a voz falhando: — Eu não mandei você sair? Então por que… por que ainda está aqui? Reid se levantou calmamente. — Porque imaginei que você arranjaria outro motivo para ficar irritada comigo. Piscaei, confusa. Mas os comentários enlouqueceram imediatamente. [Lá vem ela de novo. Da última vez, disse que não precisava que ele amarrasse os sapatos. Quando ele foi embora, surtou dizendo que ele não queria mais trabalhar pra ela. Fez o cara ficar três dias no quintal. No inverno. Sem comida e sem água. Se ele não fosse resistente daquele jeito, teria ido parar no hospital.] [Mal posso esperar até ele recuperar o dinheiro da família verdadeira e pendurar ela numa árvore por três dias também.] As cenas passaram pela minha cabeça uma após a outra. Tá, aquilo realmente aconteceu. Mas foi porque eu pedi que ele aquecesse minha cama e ele franziu a testa, dizendo que eu precisava ter mais amor-próprio.
Então castiguei ele. Parecia justo na época. Só que a vingança descrita nos comentários me assustou tanto que segurei a mão de Reid imediatamente. Forcei o olhar mais sincero que consegui e tentei desesperadamente salvar minha imagem. — Olha… eu pensei muito sobre isso. O jeito que tratei você foi horrível. Sério mesmo. Eu me sinto péssima. — Quero consertar tudo. A partir de agora, você só precisa me proteger. Não vou mais mandar amarrar meus sapatos nem lavar minhas roupas. — Reid… você é melhor do que eu. Então… sem ressentimentos, tá? Achei que ele ficaria aliviado. Mas, pela primeira vez, o rosto sempre indiferente dele se fechou numa expressão estranha. Então ele perguntou: — Eu estava fazendo meu trabalho tão mal assim? Não entendi de imediato. Até os comentários começarem outra vez. [Ela percebeu que não consegue conquistar ele e resolveu mudar de estratégia?] [Agora já é tarde. A protagonista feminina já entrou no coração dele com aquela bondade genuína dela.
Mesmo que essa garota vire santa, ele nunca vai se apaixonar por ela.] [Patricinha emergente achando que o mundo inteiro tem obrigação de se ajoelhar aos pés dela. Ridícula.] Eu já sabia que Reid não gostava de mim. Mas descobrir que o coração dele pertencia à Tessa Vance o tempo todo ainda fez meus olhos queimarem. Porque, infelizmente… Eu realmente gostava dele. Passei os dedos discretamente pelo canto dos olhos, empurrei Reid para fora do quarto e falei com a voz rouca: