Livro Disseram Que Ele Odiava Garotas Grudentas Então Eu Parei… E Ele Não Gostou Disso Novel – Capítulo 1 Eu sempre fui grudenta. Naquela noite, como na maioria das noites, eu estava enroscada no meu namorado, tentando roubar um beijo de boa-noite. Então os comentários apareceram, deslizando diante da minha visão. [Ela não percebe os sinais? Ele vem evitando ela há semanas.] [Ele odeia ser tocado. Ela só está se preparando para um coração partido.] [Aviso: o protagonista masculino precisa de alguém como a protagonista feminina, não disso.] [Relaxa — a verdadeira protagonista feminina aparece em breve. Essa aqui vai ser descartada.] Meu corpo congelou. Devagar, desenlacei os braços do pescoço dele. Blaine Carter ergueu a cabeça. Havia um olhar cauteloso nos olhos dele. — Por que você parou? — a voz dele saiu tensa. *** Algo se apertou no meu peito.
Eu não conseguia encará-lo. Baixei os olhos e apertei os dedos nos lençóis. — Estou cansada — sussurrei. Ele me observou por um instante… depois outro. O que quer que tivesse visto no meu rosto, não pareceu me entregar. Ele se virou. — Dorme — disse, com a voz fria e curta. Fiquei olhando para as costas dele. Um nó amargo se formou no meu estômago. Me levantei e apaguei a luz. Quando voltei para a cama, ainda girando aqueles comentários na cabeça, fiquei bem na beirada do colchão — o mais longe possível dele. Não estendi a mão. Se ele já me achava grudenta demais, eu não queria piorar isso. Talvez manter distância fizesse ele me odiar um pouco menos. No escuro, fiquei deitada ouvindo a respiração constante dele atrás de mim. Eu não conseguia parar de pensar nas palavras que tinha visto. Lá no fundo, por trás de todo aquele querer, eu sempre soube a verdade — Blaine não me amava.
Ele tinha sido distante desde o começo, e sempre se esquivava do meu toque. E eu… eu queria ele o tempo todo. Ele nunca dizia nada. Mas toda vez que eu me aproximava demais, o maxilar dele ficava tenso, a testa se franzia — o corpo inteiro dele gritava o que ele jamais diria em voz alta. Eu tinha ignorado tudo de propósito. Cheguei até a dizer que tinha medo de morar sozinha, mentindo na cara dele só para convencê-lo a me deixar morar com ele. Depois fui ainda mais longe e me enfiei no quarto dele.
Todas as noites, eu me enrolava nele como se pudesse impedir que ele escapasse. Ele sempre deixava, mas o primeiro instinto dele era sempre recuar. Eu o queria tanto que fechei os olhos para tudo isso. Talvez os comentários estivessem certos. O pensamento pesou no meu estômago. Quanto mais eu ficava ali, pior ficava. O sono demorou muito a chegar.