Comprada pelo Don Novel – Chapter 1 Na noite do nosso casamento, meu marido mafioso, Leandro Da Luz, me chamou para conversar e revelou a verdade: estava se envolvendo com outra mulher. Em seguida, me deu duas opções. Eu podia continuar casada, fingir que não via nada, e ele me compensaria generosamente, ou poderíamos assinar os papéis naquele mesmo instante e seguir caminhos separados. Sete anos juntos. Achei que ele estivesse brincando. Não estava. Depois do casamento, ele cumpriu à risca o que chamava de “casamento comprado”. Cada traição, cada humilhação, era compensada com um cheque. Quando perdi o bebê por causa do estresse, ele também tentou indenizar aquela perda.
E quando minha mãe ficou gravemente doente, quando a amante dele, Elisa, enviou fotos para o quarto do hospital apenas para me ferir, e aquelas fotos provocaram nela um infarto que a levou direto para uma cirurgia de emergência… Leandro nem sequer piscou. — Cem milhões. Isso deve ser mais do que suficiente para cobrir qualquer dano causado ao coração da sua mãe. — Não é suficiente? Posso sempre acrescentar mais. Não respondi. Fiquei sentada do lado de fora da sala de cirurgia por vinte e quatro horas seguidas. Quando o médico saiu para me informar que minha mãe havia falecido, peguei o celular e liguei para Leandro. — Quero um bilhão. Desta vez, ele não estava comprando um aborto espontâneo. Não estava comprando meu silêncio. Estava comprando a última coisa que eu ainda sentia por ele. A linha ficou muda por alguns segundos. Então, quase inaudível, ouvi a respiração de uma mulher.
Passos, enquanto Leandro se afastava para um lugar mais reservado. Depois, sua voz baixa e debochada. — Um bilhão? — Sofia, será que fui generoso demais com você nestes últimos três anos? É por isso que acha que pode jogar números assim na minha cara? — Sua mãe ficou abalada. Mesmo que ela tivesse morrido de fato, não vale um bilhão. Você entende isso, não entende? Não vale. Eu poderia ter entregue dez bilhões a ele, e ainda assim não compraria de volta um único segundo da vida da minha mãe. E agora ela tinha partido. Leandro não me deu chance de falar. Apenas desligou. O tom morto da ligação atravessou meu peito como uma lâmina. Virei-me e entrei no necrotério. Afastei o lençol branco. Olhei para minha mãe. Imóvel. Serena. Fora do meu alcance. O frio me cortou como uma lâmina. Inclinei-me e a abracei. O que ouvi não foi a voz dela.
Foi a do médico, baixa e cheia de pesar. — Se o choque não tivesse desencadeado uma crise cardíaca, a cirurgia teria sido simples. Ela teria ficado bem. Que desperdício… Foi tudo tão repentino. É. “Repentino” era pouco para descrever. Três dias antes, eu estava deitada com a cabeça no colo dela. Havia prometido que, assim que ela se recuperasse, deixaria Leandro. Chega de me agarrar a um casamento morto. Acabaria ali. Nunca imaginei que sua morte viesse antes da alta. No dia em que ela foi levada para a cirurgia, Leandro estava de pé, com os braços ao redor de Elisa. — Elisa não fez de propósito. Sua mãe tinha o coração fraco. Não conseguiu suportar um pouco de estresse. — Sofia, todo esse drama… Você só quer dinheiro, não é? — Cem milhões. Isso basta? As palavras dele rasgaram meu peito e continuaram abrindo caminho. Fiquei sentada ao lado do corpo da minha mãe, tremendo, e as lágrimas que eu segurara por tanto tempo finalmente caíram.
Uma após a outra, preenchendo as cavidades de seus olhos fechados, acumulando-se ali como um lago de luto. — Mãe… Sei que errei. Por favor, acorde. Por favor… — Não amo mais Leandro. Vou deixá-lo. Vamos para casa. Vamos voltar para casa. No fim, eu estava caída no chão, tomada pela dor. Os médicos temeram que eu me fizesse mal. Deram-me um sedativo. Quando recuperei a consciência, não senti nada. Apenas vazio, cinzas. Liguei para Leandro novamente. Ele atendeu imediatamente, com a confiança de quem já venceu. — Já decidiu um número? — Sim. Cem milhões. Não queria mais lutar. Cem milhões para comprar o que restava da garota que o amara por uma década. Era suficiente.