Ele Escolheu a Aluna Dele, Eu Escolhi Um Novo Noivo Novel – Chapter 1 Estávamos diante do altar, a poucos segundos de trocar as alianças, quando Artur Henrique parou. — Espere. Eu preciso… Assenti antes que ele terminasse. — Vá. Ela precisa de você. Ele piscou, claramente pego de surpresa. — Não fique chateada. Eu já volto. Não respondi. Não segurei seu braço nem implorei para que ficasse, enquanto ele murmurava palavras tranquilizadoras ao telefone. Na primeira vez em que passei por aquilo, ele recebeu uma ligação de Sofia Martins e tentou adiar a cerimônia de novo. Agarrei seu pulso e disse entre os dentes: — Se sair por aquela porta, o casamento acaba aqui. E eu não vou ter esse bebê. Os olhos dele ficaram vermelhos, e ele cerrou os dentes com tanta força que vi o músculo do maxilar saltar.
Mesmo assim, ele ficou. Voltou para o meu lado, e nós terminamos a cerimônia. Depois, descobrimos que Sofia havia cortado os pulsos. Ele nunca mais mencionou o nome dela. Passou a se dedicar inteiramente a cuidar de mim e do nosso filho ainda por nascer. Então minha bolsa estourou, e eu estava caída no chão, implorando para que ele me levasse ao hospital. Tudo o que recebi foi sua voz gelada. — Sofia finalmente acordou, e você a levou ao limite outra vez. Você não merece carregar meu filho. Sangrei até a morte no chão do porão, por complicações do parto. Por isso, desta vez, decidi deixá-los ficar juntos. Artur claramente não esperava que eu concordasse com tanta facilidade. Talvez achasse que eu só quisesse provocá-lo, porque acrescentou: — Esta é a última vez. — Não. Você não vai sair daqui. Minha mãe deu um passo à frente e bloqueou seu caminho. — Você vai embora no meio do próprio casamento? E a Cláudia? Vai abandonar sua noiva por causa de uma aluna? Um burburinho se espalhou entre os convidados.
Esta já não é a oitava vez que eles cancelam? — Aquela garota soube que ele ia se casar e quase se matou num acidente de carro. Sinceramente? Acho que ele nunca quis mesmo esse casamento. Mas a Cláudia continua correndo atrás dele. Antes, aquelas palavras teriam me feito perder o controle. Agora, engoli a amargura e forcei algo que talvez passasse por um sorriso. Em todas as vezes que Artur e eu tentamos realizar um casamento na minha primeira vida, Sofia ligou. — Professor, não consigo resolver esta parte da tese. O senhor poderia vir dar uma olhada? — A energia caiu na biblioteca e eu fiquei trancada aqui dentro. O que eu faço? — Professor, hoje é meu aniversário e ninguém apareceu. Mas tudo bem, eu fico sozinha mesmo. Com o tempo, nossos amigos e familiares pararam de fingir. Todos presumiam que Artur não me amava. Os alunos de pós-graduação dele riam pelas minhas costas, zombando da esposa do professor, da dona de casa que não estava à altura dele.
Implorei a Artur que desse um fim aos boatos. Ele disse que eu estava exagerando. Sofia ligou durante a oitava cerimônia. — Professor, eu lhe causei tantos problemas. Vou sair do caminho. Espero que o senhor seja feliz… Um guincho de freios atravessou a ligação. O rosto de Artur perdeu toda a cor, e ele foi embora antes que eu conseguisse respirar de novo. O acidente deixou Sofia em estado vegetativo. Virei motivo de piada em todos os encontros de família. Oito casamentos fracassados, e eu ainda não conseguia vencer uma mulher em coma. Quando Sofia acordou durante a nona tentativa, ela o procurou. — Professor, eu mudei de ideia. Não quero que o senhor se case com ela. Ainda existe alguma chance para nós? Artur deixou a aliança cair no chão e foi embora. Foi então que eu finalmente perdi o controle. Usei o bebê, transformei minha própria gravidez em arma para obrigá-lo a ficar. E Sofia cortou os pulsos. Artur cedeu depois disso. Pensei que ele tivesse me escolhido; pensei que teríamos uma vida de verdade juntos. No dia em que entrei em trabalho de parto, ele me trancou no porão.
Sua expressão não demonstrava nada. Foi então que entendi. Todas as manhãs tranquilas, todos os gestos ternos desde a tentativa de Sofia… tudo não passara de encenação. Ele só tivera paciência o bastante para me destruir do mesmo jeito que acreditava que eu a havia destruído. A lembrança daquela morte ainda permanecia no meu corpo. Mesmo agora, diante deste altar na minha segunda vida, eu não conseguia impedir o tremor que me atravessava. Desta vez, não. Eu não cometeria o mesmo erro duas vezes. Depois que Artur abandonou a cerimônia, fui direto à clínica e interrompi a gravidez. Houve um tempo em que eu não queria nada além de ter um filho dele. Mas Artur e eu não tínhamos futuro, e não havia motivo para trazer um bebê para dentro daquele caos. Quando saí da sala de recuperação, conferi o celular. Sofia havia atualizado o feed pela primeira vez em meses. [Acordei vendo a única pessoa que eu queria encontrar. Nada poderia parecer mais certo do que isso.] A foto mostrava Sofia sorrindo numa cama de hospital, pálida, mas radiante.
Os dedos de um homem estavam entrelaçados nos dela, e no dedo dele havia uma aliança simples de prata, idêntica à minha. Eu havia comprado aquelas alianças iguais com meu primeiro salário. Naquela época, ele a usava em todas as aulas e se recusava a tirá-la, por mais que os colegas zombassem dele. Agora aquela mesma mão segurava a de outra pessoa. Os comentários estavam cheios de felicitações de gente que não conhecia a história inteira. Fechei o punho com tanta força que minhas unhas cravaram na palma. Algo afiado e implacável se retorceu dentro do meu peito. Rolei a tela até um contato para o qual não ligava havia muito tempo e apertei para chamar. — Vou me casar daqui a três dias e preciso de um noivo. Você topa? Do outro lado da linha, o homem riu, baixo e caloroso. — Será uma honra.