Livro Eles Me Elegeram Como o Mais Inútil, Então Eu Fechei a Empresa Deles Novel – Capítulo 1 — E agora, o prêmio para a pessoa mais inútil da empresa. Por favor, venha ao palco receber sua premiação. O salão inteiro ficou em silêncio por um segundo. Então, explodiu em gargalhadas. No telão, meu nome apareceu bem no centro, seguido de um número: 87. De oitenta e sete pessoas na empresa, oitenta e sete votos. Unanimidade absoluta. Brad Thompson, o diretor, acenou com um sorriso. — Hazel, pode subir. Não fique tímida. Levantei e caminhei até o palco. Peguei aquele troféu de plástico. Nele estavam gravadas três palavras: “Rainha da Demissão Silenciosa”. Sorri para a plateia. O que eles não sabiam era que havia uma carta de demissão no meu bolso. Já assinada. O troféu era dourado, claramente feito de plástico barato, com um pedaço de papel colado na base escrito: “Rainha da Enrolação do Ano — Hazel Miller”.
Segurei aquilo nas mãos enquanto os flashes disparavam sem parar. Não era a imprensa. Eram meus colegas tirando fotos. — Posta no Instagram! — Hahaha, Hazel, para de ficar séria! Dá um sorriso! Eu sorri. Brad me entregou o microfone. — Bom, quer fazer um discurso? Peguei o microfone. — Obrigada, pessoal. Depois dessas três palavras, devolvi o microfone e desci do palco. Atrás de mim, as gargalhadas ficaram ainda mais altas. — Hahaha, ela ficou brava de verdade? — Ah, qual é? Foi só uma brincadeira. — Essa é a Hazel. Não tem senso de humor nenhum. Voltei para minha mesa e coloquei o troféu sobre ela. Tiffany Brooks se inclinou e deu um tapinha no meu ombro. — Não leva pro coração, tá? É só uma brincadeira. — Aham. — Olha pra mim. Eu ganhei o prêmio de Funcionária Mais Popular e nem por isso estou me achando. Olhei para ela. Ao lado do prêmio de Funcionária Mais Popular estavam os troféus de Melhor Criatividade, Melhor Desempenho e Melhor Novato.
Todos feitos de aço inoxidável com base de madeira maciça. Só o meu era de plástico. Porque esse prêmio tinha sido inventado de última hora. Durante o planejamento do retiro anual, Brad comentou: — Vamos criar um prêmio reverso pra animar o ambiente. A votação foi anônima, feita através de um aplicativo compartilhado no grupo da empresa. Recebi oitenta e sete votos. Todos eles. Ou seja, absolutamente todo mundo na empresa — incluindo a recepcionista, o pessoal da limpeza e até o estagiário — votou em mim. Eu não perguntei o motivo. Porque já sabia a resposta. Naquela empresa, ninguém fazia ideia do que eu realmente fazia. Brad não sabia. Tiffany não sabia. O RH não sabia. O CEO não sabia. Até o pessoal do financeiro provavelmente olhava meu salário e pensava: “O que exatamente essa mulher faz pra ganhar doze mil dólares por mês?” Eu sou desenvolvedora back-end. Parece um cargo comum.
Mas a parte pela qual sou responsável fica longe dos olhos de todo mundo. Eu mantenho a arquitetura principal do sistema central de transações da empresa. Esse sistema processa trinta milhões de dados por dia e sustenta oitenta por cento do faturamento da empresa. Sem ele, o front-end não passa de uma tela vazia. Sem ele, cada clique dos clientes resulta em erro 404. Sem ele, nenhum centavo dos seis milhões de dólares que entram diariamente na empresa chegaria até a conta. Mas esse sistema não apresentava falhas há três anos. Então, durante três anos, ninguém sequer lembrava que ele existia. Era igual ao encanamento de uma casa. Enquanto nada quebra, ninguém lembra que está ali. O retiro da equipe continuou. No palco, Brad entregava um bônus de três mil dólares para Kevin Miller, vencedor do prêmio de Melhor Desempenho. O salão inteiro aplaudiu.
Tiffany ganhou o prêmio de Melhor Criatividade e recebeu dois mil dólares. Alguém gritou no meio da multidão: — Ela é um ícone! Sentei em um canto e comi uma fatia de pizza de pepperoni. Meu celular vibrou. Alerta do sistema. Olhei para a tela. O uso de memória do servidor tinha ultrapassado o limite. Eu precisava limpar o cache manualmente. Abri o notebook, acessei o servidor por SSH e digitei algumas linhas de comando. Três minutos. Resolvido. Ergui os olhos. O retiro continuava normalmente. Ninguém percebeu o que eu tinha acabado de fazer. Ninguém percebeu que, se eu demorasse mais trinta minutos para resolver aquilo, todos os dados de pedidos dos clientes estariam corrompidos até a manhã seguinte. Fechei o notebook. Justin, o estagiário sentado ao meu lado, olhou para mim. — Hazel, você trouxe notebook pro retiro? — Hábito. — Faz sentido.
Não é como se você tivesse muita coisa pra fazer mesmo. Ele riu e saiu correndo para participar da disputa pelos bônus. Às dez da noite, o retiro terminou. No ônibus de volta, quase todo mundo estava postando fotos nas redes sociais. Passei pelo Instagram da Tiffany. “Felicidade de hoje! Ganhei o prêmio de Melhor Criatividade! Obrigada, equipe!” Na foto, ela segurava o troféu sorrindo. Logo abaixo, Brad tinha curtido e comentado: “Merecidíssimo.” Depois apareceu a publicação do Kevin. “Melhor Desempenho! Continuar trabalhando duro!” Brad também curtiu essa. Eu não postei nada. Estava olhando para minha carta de demissão. Eu a tinha escrito três dias atrás. E naquela noite, finalmente poderia entregá-la.